A sessão de Menos que Nada no Mercado de Cannes foi, a exemplo do que já acontecera em 2007, com o 3 Efes, um teste para verificar se espectadores que não têm qualquer contato anterior com o filme, nem relação pessoal com os realizadores, acompanham e se emocionam com a história. E acho que o filme funcionou. Nos dois Testes de Audiência que fizemos no Brasil, em Brasília e Curitiba, graças ao belo trabalho de Marcio Cury e Renato Barbieri, já percebi os momentos do filme que são mais importantes em termos de dramaticidade. Desde os meus primeiros tempos no cinema, quando projetei dezenas de vezes os longas em super-8 Deu Pra Ti, Anos 70 e Inverno, aprendo muito com o público. Acho que essa é uma experiência que todo diretor deveria ter, mas muitos dos meus colegas ficam tão nervosos que não conseguem ficar a menos de 100 metros da sala. Sessões de festivais (principalmente os competitivos, o que não é o caso do Mercado em Cannes) são particularmente tensas. Mas a nossa vida é essa: contar histórias. O que seriam das histórias se não houvesse gente para vê-las e escutá-las? Numa sala escura, com a tela iluminada pelas imagens em movimento que ele criou, o cineasta enfrenta o seu momento da verdade. Tanta faz se é Cannes, Gramado, Porto Alegre, ou Quixeramobim. O espectador é sempre um anônimo a conquistar.
Uma linda canção de Julio Reny, na linda voz de Simone Carvalho, com arranjo perfeito de Luciano Granja. Está na trilha de Menos que Nada, que estreia no dia 13 de julho, mas você já pode ouvir agora clicando aqui: Uma tarde de outono de 73
Baby, Marcelo Nunes, Simone Carvalho e Carlos Gerbase
Na terça desta semana, aconteceu a gravação do clip da música “Foi numa tarde de outono de 73″, clássico de Julio Reny no início dos anos 80. A música, regravada por Simone Carvalho, com arranjo de Luciano Granja, está nos créditos finais de MENOS QUE NADA. O clip foi realizado no estúdio Bandits, de Marcelo Nunes, que fez a fotografia e co-dirigiu comigo. A maquiagem foi da Baby, que também fez o make-up do filme. Não vou contar muito o que fizemos pra não perder a graça, mas aí vão duas fotos pra dar um gostinho.
Foram quatro sessões de dublagem. Infelizmente, não gravei em vídeo a primeira sessão, com o Felipe Kannenberg. Assim, restaram três sessões, que foram editadas pelo grande Nero Orlandi. Dublar sempre é um processo meio ridículo, e eu imaginava que ficaria engraçado se a gente juntasse os piores momentos de cada ator. Então aí vai…
Terminaram as dublagens de Menos que Nada. A primeira fase, documentada no post da semana passada, envolveu Felipe Kannenberg, Branca Messina, Carla Cassapo e Artur Pinto. Na segunda fase, estiveram no Estúdio Kiko Ferraz as atriz Maria Manoella e Rosanne Mulholland, e os atores Felipe Mônaco e Alexandre Vargas. Aí vão algumas fotos. Mas o melhor está por vir: um vídeo com os piores momentos da dublagem (publico assim que eu achar um editor pra fazer o serviço, coisa bem difícil nesses tempos pré-natalinos).
Maria Manoella reencarnando Berenice.
Rosanne Mulholland concentra-se para fazer a voz de René.
O sempre concentrado Alexandre Vargas dublando Ciro.
Felipe Mônaco, também conhecido como delegado Rubens.
Temporada de dublagens do Menos que Nada. Começou na semana passada com Felipe Kannenberg. Ontem (segunda-feira), Branca Messina veio do Rio de Janeiro para fazer algumas falas da Dra. Paula. Depois dela, ainda trabalharam o Artur Pinto e a Carla Cassapo. Amanhã (quarta) é a vez de Maria Manoella (que vem de SP), Alexandre Vargas e Felipe Mônaco. Fechamos na sexta com Rosanne Mulholland. O Christian operou a mesa de som, e o Kiko tá dando seus palpites certeiros. E o filme tá cada vez mais pronto… Em breve, os vídeos das dublagens.
Felipe Kannenberg abriu os trabalhos
Branca Messina veio do Rio para reencontrar a Dra. Paula
O grande Artur Pinto solta voz.
E Carla Cassapo diverte-se bastante (como sempre).
A Prana Filmes (empresa que tem como sócios Luciana Tomasi e eu, Carlos Gerbase) é a nova produtora do Menos que Nada. Saímos da Casa de Cinema de Porto Alegre, depois de 24 anos de muitas realizações, por acreditarmos que era o momento de concentrar o nosso trabalho no que sempre gostamos de fazer: filmes. A palavra “prana” vem do sânscrito e significa o sopro da vida, a energia do universo que os seres vivos absorvem quando respiram.
Assim, Menos que Nada foi gerado na Casa de Cinema, mas já vai nascer e começar a respirar no tempo da Prana. O filme está em fase de edição de som e finalização de imagem. Na semana passada, o terceiro corte (ou seja, o filme completo, mas não ainda em sua versão definitiva) foi projetado em Curitiba, numa sessão-teste, com ótima recepção do público. Na próxima segunda-feira, vou a Brasília para acompanhar um nova sessão-teste. Sempre é bom sentir como os espectadores reagem para planejar corretamente o lançamento. Em breve vamos botar na roda o terceiro teaser. Escrevi um texto para me despedir do blog da Casa de Cinema, e ele segue abaixo:
Saindo de casa, saindo da Casa
É difícil sair de casa. Morei com meus pais por 23 anos, num sobrado da rua Santo Inácio, e até hoje tenho recordações muito fortes do quarto que dividia com meus três irmãos, da adega que virou laboratório fotográfico, do pátio onde jogava futebol com meus amigos, quando devia estar estudando. Fui feliz naquele lugar. Foi onde me conheci. Foi onde escutei meus primeiros discos, foi onde escrevi meus primeiros contos, foi a sede de meus primeiros filmes. Mas resolvi sair de casa assim que consegui um emprego razoavelmente estável, porque queria mais liberdade, mais independência. Aluguei um apartamento de um quarto, fundos, no edifício Ouro Negro, na avenida Cristóvão Colombo. Fiquei ali só seis meses, mas lembro até hoje da noite em que meu irmão Zeca bateu na porta para dizer que nosso pai tinha morrido, e de uma visita do meu amigo Giba, que trouxe uma solução narrativa para uma cena do filme Inverno, que estávamos rodando naquele momento.
Do Ouro Negro, fui para uma casa da Marquês do Pombal, em cuja garagem nasceram Os Replicantes. Depois fui para um estranho edifício comercial de três andares na Tomaz Flores (que transformamos em residência). Ali nasceu minha filha mais velha, Iuli, que hoje é cineasta. Depois foi um apartamento na Oswaldo Aranha, onde vi a Iuli e as minhas outras duas filhas, Livi e Iami, crescerem. Como o nosso edifício não tinha garagem, deixávamos o carro no edifício ao lado, na vaga do grande ator Leverdógil de Freitas, que não dirigia. E, finalmente, durante as filmagens de Tolerância, há 12 anos, fui para um apartamento da José Bonifácio, de onde não pretendo me mudar nos próximos 50 anos. Só de pensar em tirar os livros das estantes tenho dor de barriga. Mas as mudanças é claro, continuam acontecendo. Quando nada muda, estamos mortos. Vida é movimento, alteração, água correndo num rio que nunca é o mesmo. É o que estou pensando – e o que me consola – nessa semana em que saio da Casa de Cinema de Porto Alegre rumo a um novo endereço e a uma nova perspectiva profissional.
Sair da Casa de Cinema foi uma decisão muito mais difícil que sair da casa da Santo Inácio, e não esquecerei todas as coisas boas que rolaram nesses quase 24 anos de sociedade: os filmes, as campanhas políticas, as dificuldades enfrentadas coletivamente, as alegrias compartilhadas. Não cabe explicar aqui os motivos da saída. Nesse momento, o que interessa é olhar pra frente e dizer para quem está lendo este texto que ele é o último aqui nesse endereço. Em breve escreverei outros, no site da Prana Filmes, que está em construção acelerada. Em 1992, a Casa já passou por uma transformação muito grande, com vários sócios fundadores saindo, e seguiu em frente. É o que deve acontecer agora. Eu e a Luciana continuaremos nos sentindo parte dessa Casa, e deixaremos aqui, além das obras em que trabalhamos, um sentimento de orgulho por fazer parte de uma iniciativa importante para o cinema brasileiro. Vamos para nossa nova casa porque esta é a melhor alternativa para continuar fazendo filmes com a alegria e a liberdade que sempre tivemos.